Oecologia Australis, Vol. 13, No 4 (2009)

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A VULNERABILIDADE DA FLORESTA AMAZÔNICA PERANTE AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Philip M. Fearnside

Resumo


A floresta amazônica enfrenta sérias ameaças à sua sobrevivência devido às mudanças globais, que poderão tornar a Amazônia gradualmente mais quente e mais seca. Este efeito aparece mais intensamente em simulações do clima através de modelos que incluem a ligação entre o aquecimento da água no oceano Pacífico e a ocorrência do El Niño. Eventos como incêndios em Roraima em 1997/1998 e 2003 indicam que a ligação mencionada anteriormente é real. Os impactos são mais acentuados em modelos que incluem as retroalimentações bioesféricas, a morte da floresta e o aquecimento dos solos levando à emissão de carbono que, por sua vez, aumenta mais a temperatura e a morte da floresta. Uma ameaça climática inesperada revelou-se em 2005, quando uma seca devastadora atingiu a Amazônia. Este tipo de seca se deve a um gradiente de temperatura da água da superfície do oceano entre o Atlântico Norte e Sul, que faz parte de uma oscilação que está intensificando. A formação da mancha de água quente no Atlântico Norte está se agravando devido à redução das cargas de aerossol sobre o mar nesta área, situação que deve se intensificar nas próximas décadas como resultado da continuação do aquecimento global. A concretização, de um cenário deste tipo depende de decisões humanas sobre a limitação das emissões de gases do efeito estufa, provenientes tanto da queima de combustíveis fósseis quanto do desmatamento. O Brasil é um dos países que perderia mais com o aquecimento global, colocando em risco a própria floresta amazônica. Portanto, o Brasil precisa mudar de lado nas negociações sob a Convenção de Clima. Ao invés de sempre tentar adiar a assunção de uma meta para redução de emissões, deve assumir imediatamente uma meta sob a Convenção (não apenas internamente), juntando ao Anexo I da Convenção e ao Anexo B do Protocolo de Kyoto, e passar a se empenhar para convencer os outros países, como a China e a Índia, a fazer o mesmo.


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ISSN 2177-6199